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A capacidade de provocar, chamar a atenção e transformar em menos de dois minutos revelam talentos necessĂĄrios num tempo de constante explosĂŁo. “Cavala”, o disco de estreia de Maria Beraldo, morre e renasce por diversas vezes ao longo das suas dez cançÔes. Tudo concentrado em 24 minutos. As suas transformaçÔes instantĂąneas e repentinas reflectem a urgĂȘncia da mensagem de Maria Beraldo e da vontade de se afirmar e nĂŁo ter medo de se assumir como uma mulher lĂ©sbica universo cancioneiro brasileiro da actualidade. E para a posterioridade. “Cavala” rasga com tudo, atĂ© com o passado de Maria Beraldo. Outrora tocou clarinete e clarinete baixo na banda de Arrigo BarnabĂ©, fez parte dos QuartabĂȘ e dos Bolerinho, colaborou com gente como Elza Soares, Negro Leo, Iara RennĂł e Rodrigo Campos. Detalhes para ilustrar a nova vida que encontra em “Cavala”, carregada da ambição de se mostrar como compositora e arquitecta de fĂĄbulas pop que sejam armas que adociquem ouvidos e transformem mentes. Maria Beraldo impĂ”e esse carĂĄcter transformativo. Todas as suas cançÔes, atĂ© a interpretação que faz de “Eu Te Amor”, de Chico Buarque – a Ășnica canção de “Cavala” que nĂŁo Ă© da sua autoria -, vĂȘm carregadas de identidade e da necessidade de contar uma histĂłria que explique a urgĂȘncia em se repensar a heteronormatividade da sociedade. “Cavala” fala de si, fala de uma compositora que impĂ”e anos de estudos e conhecimento em instrumentais pujantes e histĂłrias ricas onde medo, ternura e emancipação convivem. A si juntaram-se outros mĂșsicos, amigos, paulistas, como Tim Bernardes, TĂł Brandileone e MariĂĄ Portugal. Fazem-se ouvir, adornando o esqueleto das composiçÔes minimalistas de Maria Beraldo, na maior parte compostas apenas com trĂȘs elementos. Ao longo de “Cavala”, seja no começo fulminante com “Tenso”, a falsa-lullaby “Maria” ou a esquizofrĂ©nico-onomatopeia que Ă© “Sussussussu”, existe o desejo de reduzir a forma da mensagem ao essencial: cru, veloz, urgente. Mirabolantes construçÔes pop com uma mensagem identitĂĄria e um abastado talento em virar o complexo para um discurso directo, conciso e palpĂĄvel. Quem disse que os gritos nĂŁo poderiam ser doces?

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Original: $20.60

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A capacidade de provocar, chamar a atenção e transformar em menos de dois minutos revelam talentos necessĂĄrios num tempo de constante explosĂŁo. “Cavala”, o disco de estreia de Maria Beraldo, morre e renasce por diversas vezes ao longo das suas dez cançÔes. Tudo concentrado em 24 minutos. As suas transformaçÔes instantĂąneas e repentinas reflectem a urgĂȘncia da mensagem de Maria Beraldo e da vontade de se afirmar e nĂŁo ter medo de se assumir como uma mulher lĂ©sbica universo cancioneiro brasileiro da actualidade. E para a posterioridade. “Cavala” rasga com tudo, atĂ© com o passado de Maria Beraldo. Outrora tocou clarinete e clarinete baixo na banda de Arrigo BarnabĂ©, fez parte dos QuartabĂȘ e dos Bolerinho, colaborou com gente como Elza Soares, Negro Leo, Iara RennĂł e Rodrigo Campos. Detalhes para ilustrar a nova vida que encontra em “Cavala”, carregada da ambição de se mostrar como compositora e arquitecta de fĂĄbulas pop que sejam armas que adociquem ouvidos e transformem mentes. Maria Beraldo impĂ”e esse carĂĄcter transformativo. Todas as suas cançÔes, atĂ© a interpretação que faz de “Eu Te Amor”, de Chico Buarque – a Ășnica canção de “Cavala” que nĂŁo Ă© da sua autoria -, vĂȘm carregadas de identidade e da necessidade de contar uma histĂłria que explique a urgĂȘncia em se repensar a heteronormatividade da sociedade. “Cavala” fala de si, fala de uma compositora que impĂ”e anos de estudos e conhecimento em instrumentais pujantes e histĂłrias ricas onde medo, ternura e emancipação convivem. A si juntaram-se outros mĂșsicos, amigos, paulistas, como Tim Bernardes, TĂł Brandileone e MariĂĄ Portugal. Fazem-se ouvir, adornando o esqueleto das composiçÔes minimalistas de Maria Beraldo, na maior parte compostas apenas com trĂȘs elementos. Ao longo de “Cavala”, seja no começo fulminante com “Tenso”, a falsa-lullaby “Maria” ou a esquizofrĂ©nico-onomatopeia que Ă© “Sussussussu”, existe o desejo de reduzir a forma da mensagem ao essencial: cru, veloz, urgente. Mirabolantes construçÔes pop com uma mensagem identitĂĄria e um abastado talento em virar o complexo para um discurso directo, conciso e palpĂĄvel. Quem disse que os gritos nĂŁo poderiam ser doces?

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A capacidade de provocar, chamar a atenção e transformar em menos de dois minutos revelam talentos necessĂĄrios num tempo de constante explosĂŁo. “Cavala”, o disco de estreia de Maria Beraldo, morre e renasce por diversas vezes ao longo das suas dez cançÔes. Tudo concentrado em 24 minutos. As suas transformaçÔes instantĂąneas e repentinas reflectem a urgĂȘncia da mensagem de Maria Beraldo e da vontade de se afirmar e nĂŁo ter medo de se assumir como uma mulher lĂ©sbica universo cancioneiro brasileiro da actualidade. E para a posterioridade. “Cavala” rasga com tudo, atĂ© com o passado de Maria Beraldo. Outrora tocou clarinete e clarinete baixo na banda de Arrigo BarnabĂ©, fez parte dos QuartabĂȘ e dos Bolerinho, colaborou com gente como Elza Soares, Negro Leo, Iara RennĂł e Rodrigo Campos. Detalhes para ilustrar a nova vida que encontra em “Cavala”, carregada da ambição de se mostrar como compositora e arquitecta de fĂĄbulas pop que sejam armas que adociquem ouvidos e transformem mentes. Maria Beraldo impĂ”e esse carĂĄcter transformativo. Todas as suas cançÔes, atĂ© a interpretação que faz de “Eu Te Amor”, de Chico Buarque – a Ășnica canção de “Cavala” que nĂŁo Ă© da sua autoria -, vĂȘm carregadas de identidade e da necessidade de contar uma histĂłria que explique a urgĂȘncia em se repensar a heteronormatividade da sociedade. “Cavala” fala de si, fala de uma compositora que impĂ”e anos de estudos e conhecimento em instrumentais pujantes e histĂłrias ricas onde medo, ternura e emancipação convivem. A si juntaram-se outros mĂșsicos, amigos, paulistas, como Tim Bernardes, TĂł Brandileone e MariĂĄ Portugal. Fazem-se ouvir, adornando o esqueleto das composiçÔes minimalistas de Maria Beraldo, na maior parte compostas apenas com trĂȘs elementos. Ao longo de “Cavala”, seja no começo fulminante com “Tenso”, a falsa-lullaby “Maria” ou a esquizofrĂ©nico-onomatopeia que Ă© “Sussussussu”, existe o desejo de reduzir a forma da mensagem ao essencial: cru, veloz, urgente. Mirabolantes construçÔes pop com uma mensagem identitĂĄria e um abastado talento em virar o complexo para um discurso directo, conciso e palpĂĄvel. Quem disse que os gritos nĂŁo poderiam ser doces?